| INQUIETAÇÃO |
|
Você também pode escutar este poema clicando aqui
Foi naquela manhã meio nublada Em que tímidos raios trespassavam as nuvens Que a vislumbrei pela primeira vez. O sorriso alvo iluminava o mundo E incutia esperança ainda maior Que os penetrantes raios nascentes.
O tom esverdeado que mirava os meus Vinculava outros verdadeiros significados a frase “Os olhos são as janelas da alma”. A brisa matutina revolvia os sedosos cabelos O convite mudo, subjetivo: “Faça parte da minha vida” Rabiscava as entrelinhas da página a escrever.
No início acreditei tratar-se de um sonho Dos que sabemos estar sonhando Mas muito relutamos em acordar. No entanto era deliciosamente real Ali estava você, doce, sublime, radiante, O inicio do que para sempre seria lindo.
Não, não... Ainda não entenderam Aqueles que esperam ou vêem Eros Nesta fleuma narrativa. É o prazer da verdadeira amizade De candura e singeleza inigualáveis Que encanta meu inquieto coração.
É realmente um anjo aquela que tira meu sono Nas noites de portentosa inspiração E me leva a arrebatadas criações literárias. Mas, embora graciosa, não é a plástica perfeita, Silhueta harmoniosa, ou exalo de feromônios, Que faz transbordar minha admiração.
No meu acentuado introspecto característico, Observo assombrado e às vezes indago-me: Como pode um anjo não ser feliz? Qual intrusa atrevida é a indigesta tristeza Que inquieta o coração e persiste em nublar Aquele olhar que brilha mais que o sol?
Rogo estar enganado naquilo em que insisto, Que ela seja realmente feliz no que afirma E que à noite seu repouso seja tranqüilo. Pois desde aquela manhã nublada, a primeira, Meu excêntrico e conturbado coração de fã Ribomba dentro do peito por uma só felicidade.
______________________________________
Publicado na antologia internacional Margens do Atlântico
|
![]()
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.