Apresentação

      ÁGUA, FONTE DE VIDA
 

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Mansa e ininterrupta é a chuva no terceiro dia,

Restabelecendo a correnteza dos rios, o arco-íris,

O sorriso do sertanejo e a alegria dos pássaros.

Preenchendo os açudes, antes secos e escassos,

Que, poeirentos e febris, trincavam em agonia.

 

Ah! O céu que vislumbro através da janela...

Jamais avistei tom cinzento mais esplêndido!

Os bichos se juntam ao verde viço das plantas,

Somando cores e vida à pintura que encanta:

Esta fascinante obra-prima, divina e singela.

 

O espetáculo, em si, é de extraordinária beleza,

Quando as nuvens condensam e a água volta a terra,

Propiciando aos seres fartura nas tuias, dando de beber

E relegando ao passado a vil seca que fazia estremecer.

Ah, anjo que me ouve! Quão zelosa é a mãe natureza!

 

Água: da vida a fonte e a contínua manutenção.

Bendito elemento que cria e move os seres de Deus.

Simples palavras não retratam sua importância,

Tampouco a acuidade de tê-la em abundância,

Há muito negligenciada, sem escrúpulo ou razão.

 

Mesmo no gélido negrume do etéreo espaço,

Donde se vê por inteiro a portentosa esfera mãe,

Além do verde amazônico que arrebata os botânicos,

É o branco das nuvens – água suspensa – e azul oceânico,

Que fazem da Terra o mais fulgurante dos astros.

 

Contudo, a abjeta e inescrupulosa cobiça do homem,

Em sua eterna e inabalável sede de conquistas,

Mata e desmata os cílios das diáfanas nascentes,

Destruindo a vida rica dos mares, rios e afluentes,

Poluindo, envenenando, a própria água que consome.

 

O execrável e inconseqüente vírus humano,

Está esquecendo que a água representa 75% da vida.

E deixará aos seus descendentes apenas o sol eterno,

A arder num planeta morto, desprovido de inverno,

Se insistir em massagear seu destrutivo ego insano.

 

 

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