| MULHERES SONGA-MONGAS X MULHERES DE FIBRA |
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Concordo plenamente com a escritora Lya Luft, no que diz respeito a um dos seus lindos textos – que recebi de uma amiga via e-mail, com o título “PQP”. Nesse há frases como: "Não existe isso de homem escrever com vigor e mulher escrever com fragilidade”, “Essas mulheres frageizinhas, que fazem esse gênero, querem mesmo é explorar seus maridos” e “Eu quero escrever com o vigor de uma mulher. Não me interessa escrever como homem." Sem dúvida a escritora se refere à literatura, contudo, a pertinência de suas frases vale para tudo o mais na vida da mulher, sobretudo à preferência dos homens. Em outras palavras, mulher “songa-monga” – que fica esperando tudo de mão beijada e não toma nenhuma iniciativa – há muito está fora de moda. Assim como também estão as que acham que nós homens somos superiores, que têm que ser submissas – dizem que há uma passagem da bíblia que afirma isso, mas lembro a todos que esse livro foi escrito há mais de dois mil anos e numa região cujos costumes se diferem dos nossos. Também está em desuso a mulher crer que as responsabilidades maiores são nossas e os direitos delas, ou vice-versa; ou mesmo aquelas que teimam em tentar imitar-nos. O perfil da mulher do texto é o que eu – e a maioria dos homens de personalidade – amaria. Que dá o melhor de si no que faz, fazendo do seu jeito, sem se importar se está melhor ou pior que o do homem. Que respeita, mas acima de tudo exige ser respeitada. Que não se sujeita a abusos de qualquer espécie, que goze – escandalosamente ou não –, e nada faça sem que esteja com vontade. Que não aceita o açoite, seja ele físico, moral ou psicológico. Foi uma assim que amei muito um dia e, embora eu já tenha conhecido outra com tais características, é minha amiga e, portanto, nunca me relacionei com ela. Contudo, a amo, por tudo que é e representa. A amo pela força extraordinária que possui, pelo quanto é doce quando tem que ser e pelo quanto endurece quando é preciso. A amo como esposa dedicada ao marido, mãe exemplar e mulher guerreira, que conquanto tenha seus momentos de feaquesa e desalento – comum a todos nós –, persevera onde a maioria desiste e vence onde outras sequer sonham chegar. Conquanto eu tenha tentado com mulheres submissas e sujeitáveis – que afirmam amar, sem ao menos ponderar sobre o verdadeiro sentido da palavra –, meu sentimento, se realmente existiu, não passou de interesse superficial, ou meramente sexual, que desfaleceu na primeira decepção real. Aquele amor que senti um dia – que me embalou anos a fio –, por uma mulher de fibra, com iniciativa e personalidade forte, jamais foi plenamente substituído no meu coração; exceto pelo Amor Sublime, que permite amar sem tocar e sentir saudade sem dor. Claro, já fui tachado de radical, e muito provavelmente o seja, mas prefiro acreditar que sou exigente – como todos aqueles que se prezam deveriam ser –, e espero isso de qualquer mulher que, por ventura, vier a se relacionar comigo. Afinal, ser exigente é a prova cabal de que se ama, e é óbvio que para uma pessoa amar outra de verdade, antes precisa se amar. Quem diz: “amo fulano(a) mais que a mim mesmo”, é fraco, mentiroso, sem personalidade e usa a falsa modéstia como escudo. Sou cônscio de que, sendo como sou, talvez jamais caia novamente nas graças de uma mulher e não mais cultive o Eros. Mas, se acontecer, acreditarei ter descoberto a trilha que leva à felicidade. Ao menos a felicidade a dois, pois a coletiva e pessoal eu já tenho, por ter muitas pessoas boas ao meu redor, estar respirando e pensando e ter a consciencia de que a mesma está dentro de nós, como um estado de espírito, e jamais a encontraremos em outrem.
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