Apresentação

      TERRA DO DESESPERO
 

 

Foto obtida no Flickr através de uma licença Creative Commons, cujo autor é xeni

 

I

Desolação. Para todo lado que olho, apenas desolação, total e absoluta. Contudo, não é esse nada que oprime meu peito tal qual um torniquete apertado por mãos invisíveis. Há algo mais. Algo que não sei exatamente o que, mas que permeia o ar a minha volta, deixando-o pesado, impregnado, quase irrespirável. Preciso encontrar alguém que possa me explicar como e porquê vim parar aqui. Ou ao menos me dizer que raio de lugar é este, onde para todo lado que olho, só encontro o nada! E esta droga de sensação deprimente que não pára?

Caminho a esmo, tentando experimentar algo diferente, tentando avistar alguma coisa, mas nada além desta agonia no peito e essa impressão externa de malignidade. Há no ar um repelente odor de podridão, que vez ou outra a brisa faz mais forte do que o predominante cheiro de queimado. A solidão arrocha ainda mais meu coração e incute um medo terrível de não-sei-o-quê. Continuo andando até cair de joelhos numa pequena depressão, onde enfio a mão na terra quente e trago uma porção até perto do rosto. Ácida demais. Noventa por cento é areia. Por isso não há nada verde até onde meus olhos podem enxergar. Tudo ao redor parece ter sido varrido por séculos de aridez, deixando o solo totalmente inválido.

Levanto-me e continuo caminhando durante horas para lugar nenhum, até que algo incomum a esta desolação chama minha atenção. Posso jurar que o sol refletiu numa vidraça ou em algo metálico. Pode não ser nada, talvez uma simples calota perdida, ou mesmo uma miragem. Mas também pode ser uma placa de auto-estrada – indicando uma direção para algum lugar –, ou uma lanchonete perdida nesse fim de mundo. Eu mandaria qualquer um para o inferno em troca de uma cerveja.

De longe avisto o caminhão. Ao me aproximar, faço-o com alguma cautela – nunca se sabe que tipo de gente é capaz de habitar um lugar como este. Percebo várias lápides distribuídas aleatoriamente ao redor, umas mais outras menos, mas todas semi-cobertas pela areia. Dá para ver pelas inscrições que é um cemitério antigo, mas o que me interessa é o caminhão, que poderá me levar à civilização. A cor verde-musgo e o logotipo meio apagado na porta não deixam dúvidas: é um veículo do Exército.

Circulo o caminhão devagar e sinto novamente o odor putrefato no ar. Percebo que as rodas dianteiras estão afundadas numa parte recém-revolvida do solo arenoso e o pára-choques está encalhado numa lápide quebrada. Thomas Masterson é o nome do infeliz ali plantado. Como tudo por aqui, o nome em inglês é uma incógnita, mas por ora resolvo dar prioridade a coisas mais importantes. Ignorando odor e medo, aproximo-me com cuidado até meus pés tocarem em algo pastoso. Ao conferir, percebo estar sobre os restos putrefatos de algum animal abatido e esfolado, pois não tem qualquer sinal de pêlos ou pele. Mais há frente noto a abundância de um líquido espesso como petróleo – porém tão fedorento quanto a massa em decomposição – que, misturado a areia, forma uma espécie de lama negra. Respiro pela boca – a fim de diminuir o odor – e chego do lado esquerdo do caminhão. A onda de terror – que vinha me invadindo aos poucos – me abraça como um redemoinho e faz meu estômago finalmente expulsar o que há horas teimava em sair. Tem sangue por toda parte! Na porta semi-aberta do motorista, na lona da carroceria e por todo o solo. O mesmo já está parcialmente seco e possui uma cor mais pra negra do que pra vermelha, mas não tenho a menor dúvida sobre sua composição macabra. Minhas entranhas em convulsões continuam expulsando bílis e ácidos estomacais. Não me lembro onde estive ou o que fiz nas últimas horas, mas seja o que for, está me causando um mal-estar dos diabos!

Finalmente não resta mais nada no estômago e as convulsões cessam. O terror é tanto que meu primeiro pensamento coerente é me virar e correr para longe dali. Mas para onde? Essa barbaridade é a única coisa além de areia que vi num raio de muitos quilômetros. Aqui pode ter acontecido uma chacina de animais ou de humanos, ou qualquer outra coisa imaginável. Na verdade não preciso saber o que houve – é até preferível não saber –, mas não tenho alternativa, preciso vencer o medo e procurar. Talvez haja alguém ainda vivo e precisando de ajuda... Talvez possamos ajudar-nos mutuamente. Avanço devagar, evitando ao máximo pisar no sangue. A tampa traseira da carroceria está aberta e a lona semi-levantada, de forma que consigo ver quase todo o interior. Sangue ali também, em alguns lugares ainda vermelho e apenas coagulado, mas de uma forma ou de outra, está por toda parte. E nenhuma alma viva. Não há como subir sem sujar as mãos, mas mesmo assim controlo o asco e o faço, limpando-as nas barras empoeiradas da calça.

De dois metros e meio da entrada até o fundo da carroceria, há pilhas e mais pilhas de caixões de madeira, de pouco mais ou menos metro e meio de comprimento por sessenta centímetros de largura e quarenta de altura. Uma das tampas está semi-aberta e levanto-a sem muito pensar, para não me confundir. A primeira caixa está cheia de armas de vários tipos e calibres: metralhadoras, fuzis, pistolas, lança-morteiros... Sei defini-las porque vi outras idênticas, numa exposição do Exército no shopping da minha cidade, não faz muito tempo. Minha cidade... Aonde estará ela? Sei definir as armas, mas não faço a menor idéia de como usá-las. Uso a coronha de um fuzil para quebrar a tranca da segunda caixa, que também contém armas. A terceira caixa possui o mesmo conteúdo, e a quarta e a quinta. São idênticas e obviamente todas estão cheias das mesmas armas, assim poupo-me do esforço que implicaria em abrir as demais. O caminhão do Exército terá sido emboscado por causa desse arsenal? Porém, se foi isso que aconteceu, onde estão os corpos? E por que deixaram as armas para trás?

A ânsia de vômito torna a sacudir meu corpo, mas nada sai do estômago judiado. Dentro da carroceria é o sangue que cheira mais forte, causando náuseas. Preparo-me para sair e vejo um uniforme camuflado – muito bem-cuidado – pendurado num cabide e protegido por um saco plástico. Não entendo de divisas, mas com tantas, só pode pertencer a algum figurão! Devido à proteção plastificada, é a única coisa por aqui que não está suja de sangue. Parece mais ou menos dentro das minhas medidas e é muito melhor que minhas roupas sujas, mas não ouso vesti-lo, a fim de não correr o risco de ser preso com tal prova e acusado dessa misteriosa atrocidade. Abaixo da vestimenta e um pouco à direita, boto os olhos numa caixa diferente das outras, que eu não havia notado ao entrar. Abro-a e encontro vários facões, facas e baionetas. Pego uma faca embainhada e coloco dentro da calça. Experimento um dos facões, gosto do peso e decido levá-lo também. Desses objetos posso me livrar com facilidade – enterrando-os na areia –, se acaso for avistado zanzando por aí. Não tendo mais nada que me sirva, salto da carroceria e meus pés afundam na fétida lama negra. Novamente a vontade de vomitar. Maldita fetidez!

Com as botas completamente emporcalhadas – não me lembrava de usar uma dessas desde a adolescência, quando trabalhava nas lavouras de café –, já não importa mais onde piso. Ladeio o caminhão e olho dentro da cabine. Há uma mão pendurada no volante, estraçalhada um pouco acima do pulso – com pontas lascadas do rádio e ulna expostos –, mas nada do resto do corpo. Só sangue por toda parte, inclusive na imagem de um santo qualquer, pendurada no retrovisor interno. Mas que raios terá acontecido aqui? Com todo esse sangue e esse último troféu macabro, onde estão os corpos? O medo torna a crescer dentro de mim, tomando proporções de pavor e a prudência aconselha a afastar-me, antes que o causador dessa sanguinolência retorne.

Embora o vento tenha coberto quase tudo de areia, encontro algumas pegadas e marcas de sangue seco seguindo para leste, então tomo o caminho para oeste. Não há estrada, apenas o solo virgem e plano, com uma cadeia de montanhas ao longe, contrastando com o céu cinzento. Caminho pouco mais de duas horas, até que o crepúsculo se aproxima, tingindo a linha onde o céu se encontra com as montanhas de um alaranjado vivo – que faz oposição a tudo por aqui. Eu devia ter aberto o resto das caixas. Armas sem munição de nada servem, ainda mais para quem não sabe atirar, mas poderia ter alguma lanterna. Agora é tarde, não vou voltar atrás. Nas montanhas ao fundo da paisagem desolada eu poderia encontrar abrigo, mas estão longe e inalcançáveis. Meus pés estão em petição de miséria e – embora não sinta fome devido a estas náuseas – a sede ameaça me matar, mas continuo caminhando para oeste, seguindo o sol poente e implorando inconscientemente para que ele não me abandone nesta terra estranha.

Com a noite, o medo aumenta até o roçar das barras da minha calça ao caminhar tomar proporção de sons fantasmagóricos. Uma sensação de estar sendo seguido não me permite parar, apesar de ser a grande vontade das minhas pernas. O medo de olhar para trás e conferir que realmente tem algo grotesco me seguindo, me faz olhar e caminhar sempre em frente. Chego ao sopé de uma colina e ao começar a subir, meus pés afundam numa poça. Está escuro e não dá para enxergar com exatidão, mas o cheiro forte me dá a certeza do que é. A sensação medonha piora, trazendo de volta o torniquete a constringir meu coração, e aperto o cabo do facão até meus dedos doerem. Ainda que muito cansado, o medo é maior e continuo subindo a colina. Começo a ouvir ruídos estranhos às minhas costas e desta vez tenho certeza que não são as barras da minha calça. Os pêlos da minha nuca ficam eriçados como num cão de briga e uma corrente elétrica percorre minha espinha do cóccix ao cerebelo. O mau-cheiro aumenta até trazer as náuseas de volta. Entre os vários ruídos identifico gemidos e passos arrastados.

Não fico para conferir e apresso o passo colina acima. Enquanto forço as pernas, noto através da escuridão que a paisagem vai mudando gradativamente do que era deserto para algo como os restos chamuscados de uma lavoura de milho. Os passos atrás de mim parecem não ter pressa e ficam um pouco mais para trás. Conforme faço uso do resto de energia para correr, vou deixando de ouvir os lamentos lúgubres. Ao chegar ao topo, adentro uma lavoura de milho seco, mas intacta. Caminhando sempre em linha reta, perco-me nos cálculos da distância, mas continuo avançando indefinidamente até chegar a uma espécie de clareira, que delimita com nitidez a colheita do milho. Estaco pasmado, pois a cena à minha frente faz jus ao mais aterrorizante dos filmes de horror.

Uma pequena vila – similar às encontradas na zona rural do meu estado – se estende colina abaixo e os incêndios na maioria das casas fazem as pessoas correrem de um lado para o outro. O fogo vermelho-alaranjado se projeta para o céu negro, formando uma espécie de tocha gigantesca, que me permite enxergar com alguma nitidez a cena dantesca. De longe não dá para ter certeza, mas há algo muito errado na forma das pessoas se locomoverem. Umas aqui outras ali correm a esmo de um lado para o outro e são seguidas por outras, que embora lentas estão em maior número. Quando alcançadas se atracam e caem ao solo, sendo cobertas por outras e mais outras, como se num linchamento covarde. E embora a esta distância, minha posição privilegiada me permita ver que o estranho comportamento está se sucedendo por toda parte. Não sei o que exatamente, mas há algo muito errado nesta maldita terra de ninguém!

Ouço novamente os detestáveis ruídos atrás de mim – perigosamente perto – e ao me voltar sinto o sangue gelar nas veias. Eles brotam do escuro milharal como minhocas brotam do solo e cambaleiam na minha direção, esfarrapados e sanguinolentos. A cena é inenarrável, assim como é indizível o pavor que me paralisa. O coração acelera e a corrente elétrica na espinha é contínua! Meus olhos arregalados registram os morto-vivos emergindo da escura lavoura às dezenas. Súbito passa pela minha mente a idéia do facão caindo da minha mão e crispo ainda mais os dedos em volta do pesado cabo. Lembro que nos filmes é preciso cortar o pescoço ou destruir a cabeça para matar um morto-vivo, mas não pretendo deixá-los chegar tão perto.

Com uma súbita raiva da minha própria estupidez, tento dizer ao meu subconsciente que filmes de terror e tudo que tem a ver com eles é pura ficção, mas sinto meu eu interior perguntando zombeteiro: e o que são essas criaturas amaldiçoadas brotando à frente? Magnífica nossa mente, que é capaz de produzir diálogos incoerentes dentro de apenas um milésimo de segundos, apenas para balsamar horrores que poderia travá-la.

Tento me mover, mas meus pés parecem fincados no solo e meu coração dispara, elevando meu pavor a níveis inimagináveis. O primeiro dos zumbis se aproxima e posso ver seus olhos branco-opacos, totalmente sem vida. Ele levanta os braços ensangüentados na tentativa de alcançar meu pescoço e reajo instintivamente, decepando ambos com um único golpe. A lâmina afiada produz um ruído característico ao cortar ossos e carne que inusitadamente parecem possuir a textura da manteiga. Mas a coisa não pára e arreganha a bocarra de dentes amarelados. Um segundo golpe decepa-lhe facilmente a cabeça, que cai e rola pelo solo. O corpo permanece imóvel por alguns décimos de segundos e em seguida cai para trás, como um boneco de pano desarticulado.

A cena a seguir não pode ser assimilada por qualquer mente sã, sem maculá-la para sempre e de uma forma irreversível. Num uníssono de grunhidos, os zumbis seguintes caem sobre o corpo decapitado, abocanhando e devorando grandes nacos da carne putrefata e fazendo jorrar uma espécie de sangue negro, que emporcalha ainda mais suas vestes esfarrapadas. Num único relance identifico aquela viscosidade escura misturada à areia junto ao caminhão. Por alguns instantes parecem se esquecer de mim, amontoando-se uns sobre os outros, numa ânsia insana de se alimentarem. Mas são muitos e os que vêm atrás ultrapassam a turba e tentam me agarrar. A fetidez se eleva à proporção da amônia, ameaçando surrupiar o ar respirável em volta. Outra vez as náuseas ameaçam me virar do avesso e o apêrto no peito se transforma numa dor muito fina – que pulsa no mesmo ritmo desenfreado das batidas cardíacas. Súbito minha mente reage sobre o físico e – com a força do desespero – consigo mover minhas pernas e suplantar o mal-estar. Tendo os horrores inimagináveis à frente e atrás, corro para o lado, no sentido sul.

Em meio ao abafadiço milharal, vão surgindo outros zumbis, obrigando-me a dar voltas para evitá-los. Já com as pupilas adaptadas à escuridão, não é difícil identificar e me antecipar à sua lentidão grotesca. Quando não posso fazê-lo, decepo-lhes a cabeça ou qualquer parte onde a lâmina penetra, com facilidade cada vez maior e uma alacridade estranha a me invadir. Enquanto corro, meu pavor aos poucos vai sendo substituído pelo prazer insano de decepar cabeças e membros com textura de manteiga. O ruído da lâmina ao cortar se assemelha a uma pedra jogada num charco – e me agrada sobremaneira. Minhas únicas preocupações consistem em não cair e não soltar o facão. Na corrida a bainha da outra arma quase toca meu pênis e sinto-me um pouco mais seguro. Já não evito as lerdas criaturas infernais que surgem à minha frente, e corto-as com um prazer cada vez maior.

A lavoura escura termina subitamente, fazendo surgir à minha frente um descampado repleto de depressões e pequenos morros. Salto sobre uma cerca de arames farpados, rolando sobre o solo áspero e me levantando agilmente do outro lado. Era praticante deste tipo de saltos, nos pequenos furtos da minha infância. Um morto-vivo bate contra a cerca e paro para respirar e observar seus movimentos. Ele se afasta e torna a bater contra o obstáculo, repetindo o movimento sucessivamente. É estúpido demais para tentar qualquer alternativa. Ponto pra mim!

A lua, que se escondia atrás de nuvens invisíveis, agora esparrama sua luz pálida sobre a terra. Os raios prateados, por sua vez, empregam um tom fantasmagórico aos obstáculos naturais, tornando-os perfeitamente visíveis na penumbra. As criaturas abomináveis surgem também deste lado da cerca – evidenciando que estão por toda parte –, e a mim só resta continuar correndo a esmo até não agüentar mais e ser finalmente devorado. Contudo – apalpo o cabo da faca sob a calça –, não me pegarão vivo!

Chego a algumas ruínas, cuja chaminé de pedras ainda se conserva quase intacta, mostrando o ponto exato onde fora a residência de uma fazenda ancestral. Escalo o que sobrou de um muro de pedras e cerca de uns quinhentos metros à direita avisto as chamas. Não da para ter certeza, mas parece um caminhão semelhante ao que encontrei antes, sendo totalmente consumido pelo fogo. Tiros de pistolas e rajadas de metralhadoras ao longe provam que os ex-ocupantes do veículo também estão tendo problemas. Um binóculo neste lugar faz tanta ou mais falta que uma lanterna. Maldita terra dos mortos! Como vim parar aqui?

À frente se estende um pequeno vale, cuja terra é macia e parece fértil, mas está coberta de cinzas e coivaras. O gás carbônico impregna o ar tanto quanto o fedor nauseabundo, tornando-o ainda mais insalubre – se é que é possível! Forço os olhos para enxergar à distância e no centro do vale a penumbra fantasmagórica divisa algum sinal de civilização. Entre construções menos definidas, distingo os contornos de uma casa, onde raios de luz vazam por uma janela aberta... Um abrigo... Água. Enquanto corro a toda velocidade ladeira abaixo, evitando tropeçar nos arbustos semi-queimados, me pergunto em pensamento quem seria louco o bastante para deixar uma janela aberta nessa terra dos diabos. Ou se esse alguém ainda está vivo. Aqui e ali alguns zumbis brotam de trás das rochas e das coivaras. Eles são muitos e os ruídos que suas gargantas podres produzem se assemelham a animais agonizando, mas por sorte são lentos e completamente caóticos. Do contrário eu já teria sido devorado ou, pior, já seria um deles. Embora eu ainda não tenha estado lá, creio que a cena banhada pela fraca luz da lua se assemelhe a uma paisagem do inferno. Ao me aproximar, percebo que o casebre é precário, com vários furos nas chapas de zinco, mas visivelmente mais sólido que as construções inferiores e, não tendo tempo para bater, mergulho através da janela.

CONTINUE LENDO: A TERRA DO DESESPERO PARTE II

 

 

 Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.